PL de nossa co-autoria é aprovado na Alesp e garante o cuidado necessário para mães enlutadas

"Ao acordar da anestesia geral, eu estava na recuperação com várias mães que haviam ganhado seus bebês por meio de cesária e seus filhos estavam no bercinho ao lado."


A história da Fabiana não é incomum. Ela pode representar a dor e o sofrimento de milhares de mães que sofreram com o óbito fetal ou com bebês natimortos - que infelizmente perderam a vida antes mesmo do nascimento.


"Embora eu não as pudesse ver, estávamos separadas por uma cortina e conseguia ouvir tudo, desde o “Parabéns!” quando alguma enfermeira entrava, aos choros de alguns bebês."


Garantir um cuidado físico e mental para essas mulheres neste período tão sensível é fundamental. Por isso, aprovamos na Alesp o PL 355/19 de nossa coautoria que prevê alas separadas à mães de natimortos ou com óbito fetal em unidades de saúde públicas e privadas do estado de São Paulo. Uma conquista que, quando virar Lei, vai garantir um espaço digno de luto maternal a essas mulheres e suas famílias. Continuaremos trabalhando para que cada mãe enlutada tenha o seu direito garantido.


Tem um relato e quer compartilhar com a gente? Envie um e-mail para mandato@marinahelou.com.br com a sua história


Confira o relato completo da Fabiana:

"Nossa história inicia-se em um exame de ultrassonografia de rotina em laboratório em 29/04/19. Realizávamos este exame semanalmente pois minha gestação era gemelar, tive um sangramento no início e portanto era uma gravidez de alto risco.


Ao ouvir da médica que meus filhos não tinham mais batimentos cardíacos fomos do céu ao inferno em segundos. Sonhos foram despedaçados naquela sala de exames.


A minha ginecologista nos orientou que eu poderia aguardar meu corpo reconhecer que meus bebês não tinham mais vida e expulsá-los naturalmente, processo que poderia levar até 30 dias, ou optar pela Aspiração Manual Intrauterina – AMIU executada em hospital. Decidimos pela última opção.


Nos dirigimos à Maternidade Pró Mater onde aguardamos uma nova ultrassonografia por protocolo da instituição. Chegamos por volta das 11h no hospital e conseguimos atendimento por volta das 14:30h em função da demanda e urgências no dia.


A maternidade fez o agendamento do procedimento para o dia seguinte às 7h, uma vez que eu não estava sangrando ou com hemorragias, nos obrigando a ir para casa e retornar para internação à meia noite.


Na internação ficamos na mesma ala onde ficam as famílias com seus bebês vivos, com flores, enfeites nas portas com os nomes dos bebês que ali estavam. Embora fossem quartos separados, durante às 7 horas seguintes em que é impossível dormir, ouvíamos os chorinhos vindos dos demais quartos. É absolutamente impossível ser altruísta neste momento onde uma dor tão dilacerante acomete seu coração. Foram horas de choro angustiante ao lado do meu marido.


Um pouco antes das 7h da manhã, fui levada à sala de cirurgia onde o procedimento foi realizado. Ao acordar da anestesia geral, eu estava na recuperação com várias mães que haviam ganhado seus bebês por meio de cesária e seus filhos estavam no bercinho ao lado.

Embora eu não as pudesse ver, estávamos separadas por uma cortina e conseguia ouvir tudo, desde o “Parabéns!” quando alguma enfermeira entrava, aos choros de alguns bebês.


Neste momento uma enfermeira entrou e perguntou de 1 a 10 qual era o grau da minha dor. Lembro-me de dizer “1, pelo amor a Deus, me tira daqui”. Naquele momento não me importava com a dor física, mas com a dor emocional de ser submetida ao que mais tarde nas terapias entendi como violência psicológica.


Ao longo de todo este tempo, meu marido ficou no quarto comigo durante a madrugada e depois sozinho ouvindo os mesmos choros da madrugada. Para ele, cuja sociedade “cobra” que se mantenha “forte” nestes momentos, foi uma das piores experiências sofridas, pois o pai acaba sendo tolhido em seus sentimentos e impelido a não expressá-lo seja por meio das lágrimas ou do choro contido.


Ao receber a alta hospitalar, nos dirigimos à tesouraria e pude observar que esta maternidade tinha algumas alas e corredores de quartos totalmente desocupados, o que nos levou a crer que processos de humanização no luto jamais foram cogitados pela equipe desta instituição."

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