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O que estou fazendo no Vaticano?

  • 12 de mai.
  • 2 min de leitura

Hoje estou no Vaticano para participar da cúpula internacional Building Climate Resilience Legislation, promovida pela Pontifícia Academia de Ciências Sociais.


Fui convidada para compartilhar experiências do nosso mandato na construção de políticas públicas voltadas à resiliência climática, adaptação urbana e proteção das populações mais vulneráveis diante dos impactos da crise climática.


Sou a única parlamentar em exercício da América do Sul presente no encontro. Estar aqui, ao lado de lideranças políticas, representantes do Judiciário, especialistas e organizações internacionais, reforça algo em que acredito profundamente: a crise climática deixou de ser um debate abstrato. Ela já transforma territórios, aprofunda desigualdades e exige respostas concretas do poder público.


E tenho visto muitas dessas respostas acontecendo nos estados e municípios hoje. Em um momento em que, infelizmente, boa parte do Congresso Nacional ainda trata a agenda climática com negligência ou resistência, assembleias legislativas e câmaras municipais têm sido espaços fundamentais para transformar esse debate em políticas públicas reais, conectadas à vida das pessoas e às urgências dos territórios.


Levarei para o evento a experiência de articulação política que construímos junto à Frente Parlamentar Ambientalista Nacional, à Frente Parlamentar Ambientalista de São Paulo e à Bancada do Clima, que fortalecem o papel dos entes subnacionais na construção de cidades mais resilientes, orçamentos mais preparados e políticas públicas mais conectadas à realidade local.


Building Climate Resilience Legislation, 2026, Vaticano.
Building Climate Resilience Legislation, 2026, Vaticano.

Ao longo do encontro, também vou falar sobre a relação entre justiça climática e proteção às infâncias. Porque são justamente as populações mais vulneráveis, entre as quais crianças e jovens, as mais impactadas por tragédias ambientais, insegurança alimentar, eventos extremos e ausência de infraestrutura adequada.


As tragédias de Guarujá e São Sebastião deixaram isso muito evidente. Em São Sebastião, por exemplo, crianças ficaram 15 dias sem aulas, mais de 1.200 estudantes passaram três meses em ensino remoto e a reconstrução definitiva da rede levou cerca de um ano. É o que sempre digo: a crise climática também interrompe trajetórias escolares, amplia desigualdades e compromete futuros.


É por isso que nosso mandato vem construindo projetos de lei em diálogo com organizações da sociedade civil, especialistas, territórios vulnerabilizados e escuta ativa de crianças e adolescentes. Entre eles, propostas voltadas ao direito das crianças à natureza e a um meio ambiente saudável, além de uma política de adaptação climática para a rede estadual de ensino.


Existe uma ideia muito presente neste encontro, que dialoga profundamente com o que Marina Silva vem dizendo há muitos anos, de que mitigação, adaptação e transformação social não são agendas separadas. São dimensões do mesmo compromisso coletivo. E que sem participação social, não haverá resposta à altura da crise climática.


Participar deste encontro também tem um significado pessoal. Em um momento de maior reconexão com a espiritualidade, estar em um espaço que propõe o cuidado com as pessoas e com a nossa Casa Comum (como nos ensinou o papa Francisco) torna tudo ainda mais especial.


Cátedra de São Pedro (Cathedra Petri). Vaticano, 2026.
Cátedra de São Pedro (Cathedra Petri). Vaticano, 2026.

Seguimos. Com diálogo, responsabilidade e coragem para transformar discurso em ação. Em breve compartilho por aqui mais informações sobre como foi o evento! Mas, enquanto isso, me conta o que você achou desse convite? Podemos conversar sobre minha participação e o balanço do evento, que tal? Basta você entrar neste grupo!

 
 
 

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